A filha das flores

a_filha_das_flores_vanessa_da_mataCompre o livro "A filha das flores", de Vanessa da Mata

 

 

 

 

 

De Vanessa da Mata

Com certo atraso, acabei de ler “A Filha das Flores”, de Vanessa da Mata.  Vanessa é uma cantora do primeiro time da música popular brasileira, e ao que tudo indica, em seu romance de estreia, parece que a escritora tem tudo para figurar entre as grandes escritoras da atualidade. Falarei disso mais adiante.

Quando o livro foi lançado, em 2013, minha vida pessoal estava um horror. Meu pai estava muito doente, vindo a falecer no mês de setembro do mesmo ano. Vivi certa paralisia. Como eu sempre escrevo resenhas, o blog não ficava sem um livro. Tinha várias resenhas prontas, o que me possibilitou atualizar sempre o blog. Mas nesse período não li muita coisa. E “A Filha das Flores” foi um desses livros.

Conheci Vanessa da Mata nas livrarias em que trabalhei. Sempre foi uma leitora voraz. E o melhor de tudo: um gosto pela literatura africana e portuguesa. Se somar o número de vezes que conversamos, não passaria de quinze minutos. Menciono isso apenas para relatar que “A Filha das Flores”, se você leitor tiver essa oportunidade única de ler, é um livro onde podemos ouvir a voz dessa grande contadora de história em cada linha, em cada parágrafo, em cada página. Eu ouvia a voz de Vanessa da Mata narrando o livro. Digo que foi a primeira vez que tive essa sensação em minha vida. E olha que eu tenho estrada…
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A biografia de Torquato Neto

a_biografia_de_torquato_netoCompre o livro "A biografia de Torquato Neto", de Toninho Vaz

 

 

 

 

 

De Toninho Vaz

Um dos “problemas” que eu acho em ler as biografias de Toninho Vaz – e eu já li “Paulo Leminski, o bandido que sabia latim“, “Solar da Fossa“, e agora a “A biografia de Torquato Neto” – é que saímos da leitura sempre com aquele desejo de querer mais. Isso, a meu ver, se deve ao talento de Toninho Vaz, que nasceu com o “dom” de saber contar uma história. Não uma história de ficção, mas uma história real. Um jornalista do primeiro time que conhece muito bem o seu ofício.

Sempre saí de seus livros com aquela sensação de querer mais. De sentir saudade quando o livro acaba. E com a biografia de Torquato Neto não foi diferente. Na biografia sobre Paulo Leminski, por exemplo, senti um nó na garganta. Uma vontade de chorar, tamanha a emoção quando li as últimas páginas do livro. O fim de uma história de um poeta que poderia estar aqui conosco e ainda ver seu livro de poesia entre os mais vendidos do Brasil.

Pergunto: A biografia de Toninho Vaz sobre o autor não foi um dos responsáveis pelo sucesso que estamos vendo de Paulo Leminski no mercado editorial?

Não acredito que tenha sido exclusivamente “o” grande propulsor, mas teve, sem dúvida alguma, uma enorme responsabilidade. Já que a biografia criou um boca a boca e alcançou muito sucesso. Isso, eu posso dizer de carteirinha. Sou livreiro, sou testemunha. Até hoje as pessoas me perguntam sobre essa biografia.

Com Torquato Neto, saí com a mesma sensação. E com a mesma pergunta: como um talento desses acabou de uma forma tão trágica? Isso você vai ler na biografia. E anotem: Torquato Neto ainda vive. E Toninho Vaz – se Deus quiser – mais uma vez, junto com tantos outros estudiosos da obra de Torquato Neto, terá um enorme papel nisso. Obedecendo a mesma liturgia do boca a boca. E a nova geração vai tendo a oportunidade de conhecer mais um grande artista.

A biografia de Torquato está sendo muito requisitada pelos leitores, e ela não é boa, é Ótima com “Ó” maiúsculo. Aos poucos, Toninho Vaz vai reescrevendo uma história tão linda da cultura nacional de uma época, através de seus menestréis.

Vamos ao livro? E nada melhor que uma apresentação feita pelo próprio biografado:
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A felicidade é fácil

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Compre o livro "A felicidade é fácil", de Edney Silvestre.

 

 

 

 

 

De Edney Silvestre

Lendo o livro a “A Felicidade é Fácil” do autor Edney Silvestre consegui captar a grande contribuição à história do Brasil que esse livro nos traz. O livro tem algumas premissas literárias que considero fundamentais para uma boa história. Tem a precisão e a economia narrativa. Um livro do primeiro time da literatura brasileira contemporânea. Muitos poderiam perguntar. Por que só agora você indica esse livro? Afinal, ele já foi lançado há uns três anos. A resposta parece complicada, mas nem tanto. Vou repetir o que já disse em algumas ocasiões.

Todos os livros a princípio são lançamentos. Como é que é? Alguém poderá me perguntar. Sim! A indústria editorial lança por mês algo em torno de quase 250 títulos. Como alguém pode ler tudo isso? Se colocarmos em nossa lista de livros lidos, e isso posso dizer para todos vocês, os livros não lidos superam em muito os lidos. Podemos concluir que, a princípio, todos os livros que ainda não foram lidos para mim ainda são lançamentos, pois não os li.

Mas, deixemos isso de lado, pois gostaria de dar outra introdução a esse romance e as questões sub-reptícias que se encontram no bojo dessa história.
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Senhor das Moscas

o-senhor-das-moscas-william-goldingCompre o livro "O Senhor da Moscas", de William Golding

 

 

 

 

 

De William Golding

Eu não conhecia o escritor William Golding. Pronto, falei. Não conhecia sua enorme importância na literatura inglesa, não conhecia sua história. Enfim, não conhecia nada sobre ele, muito menos sabia que ele ganhara o Prêmio Nobel. Fiquei sabendo apenas quando li a orelha do livro. Até que um livreiro amigo que trabalha comigo, chegou para mim e disse: – Conhece William Golding? – Não!(respondi). Então chegou a hora de você conhecer um dos maiores escritores da língua inglesa. Ele me fez uma breve resenha do livro e me entusiasmei. Peguei o livro e não conseguia mais largar. Quando terminei fiquei assombrado com a história do livro e logo depois a sua história pessoal.

Sua história de vida, sem sombra de dúvidas, foi fundamental na escrita desse livro. William Golding nasceu no dia 19 de setembro em 1911, na cidade de Cornwall, Inglaterra. Formou-se em ciências naturais por influência dos pais, pela Universidade de Oxford. Mas logo em seguida seu foco passou a ser outro, a literatura. Trabalhou brevemente como ator e diretor de teatro, escreveu poesia, e, pouco depois, tornou-se professor. Quando a Segunda Guerra estourou em 1940, ingressou na Marinha Real, onde atuou no comando de lançadores de foguetes e participou da invasão na Normandia.

William Golding escreveu “Senhor das Moscas” após a Segunda Guerra, durante a qual os nazistas exterminaram seis milhões de judeus, a URSS, logo após a sua revolução, transformara-se em uma ditadura sanguinária e os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas sobre o Japão. Se levarmos em consideração esse contexto de profundo pessimismo, poderemos entender esse livro.
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Ramerrão

O blog Bons Livros para Ler tem o grande prazer de publicar o seu primeiro post-convidado. Uma vez por mês teremos um grande escritor conosco, resenhando um livro de sua preferência. E para inaugurar nosso hall da fama, somos honrados com o texto de Leonardo Marona. Espero que você goste. Um grande abraço.
Luiz Guilherme de Beaurepaire

Capa_Ramerrão_7LetrasCompre o livro Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto

 

 

 

 

De Ismar Tirelli Neto

Encontro sempre Ismar Tirelli como que por acaso, mas na esperança de encontrá-lo. Não que necessite de sua presença, mas sua presença em determinados lugares – sempre onde o acabo encontrando, lugares muitas vezes arriscados – me tranquiliza, afeta meu lado católico. Dessa vez não foi diferente. Nos encontramos em um – como chamam? – sarau de poesia, mas não é mais assim que chamam. Performance, arrojo de penas, saúde frágil, olheiras de alegria, e foi o suficiente para eu começar a transpirar sangue. Mas ali estava Ismar, com seu inafiançável suéter de lã, um nobre saxão, com um toque de MacDougal Street, calmamente me dando psiu. “Marona, proponho um escambo”, ou algo assim, foi o que ele me disse, estendendo-me seu então recém-lançado Ramerrão (7Letras), enquanto em troca eu dava meu também novo (mas depois eu descobriria que não muito) livro de poemas. E ficamos assim: ele comprava no posto ao lado uma cerveja preta e eu bebia infantilmente rápido, porque não estava preparado para uma leitura de poemas, nunca achei que fosse realmente essa a questão, tinha sido até então confortável pensar assim. Mas agora eu estava ansioso por aquilo, e ao mesmo tempo me sentia pasmo e envergonhado por me sentir assim.

- Queria saber quanto tempo eles vão nos dar – disse Ismar.

- Você pode ler dois textos longos ou três médios, ou quatro curtos.

- Sim, mas me agonia não saber exatamente quanto tempo tenho.

- De todo modo, podemos apenas ler, que chance a gente tem?

- Sim, arruinados. Mas é orgulho também o que não se tem. A mim me basta ler seriamente. Alguns minutos com algo “bem sério”.

Lemos, foi tudo meio médio. Ficamos todos com vontade de sair, vomitar talvez numa lixeira e seguir até um bar de rua. No bar encontro Ismar com dois amigos, menina e menino, pessoas bonitas, limpíssimas, gentis. Estamos ainda um pouco eletrizados e começamos a falar do bar onde bebíamos em Laranjeiras, boca braba de vagabundo e traficante. Rimos um pouco, paramos. Posamos de máfia filipina. Tive que ir embora, tinha um encontro amoroso. Ismar me parabeniza calorosamente, “é muito tarde para se ter tamanha sorte”.
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João Saldanha – Enorme!

joao-saldanha-morreHoje não vou comentar sobre livros, nem autores, nem histórias bem escritas. Hoje vou falar sobre uma paixão antiga: o futebol.

Desde menino, influenciado por meu pai, meu saudoso e queridíssimo Luiz de Beaurepaire, tornei-me tricolor e fui doutrinado a torcer, gritar, vibrar e acompanhar Copas do Mundo como o evento mais importante da Terra. Tudo bem, esse ano diante de tantas falcatruas políticas, acredito que todos começamos um tanto desconfiados, vestindo a camisa amarela com cautela. Ao menos entre amigos, não encontrei a mesma empolgação dos outros anos quando jogos eram marcados em casas e bares com o devido protocolo. Não. Começamos sem aquela empolgação de sempre. Mas quando a bola rola e o hino desse nosso time chamado Brasil cantado por todos no estádio acontece, tudo muda. E  o coração volta a bater mais forte, a ponto de sonharmos com gols espetaculares e um placar exuberante. Mas, que infelizmente, até agora não aconteceu, pelo menos ainda. Mas acredito em milagres.

Bem, entre tantas memórias históricas e afetivas, trago no meu coração de torcedor um nome que me fala sobre as Copas do Mundo da minha vida, desde menino: João Saldanha.

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Férias na Travessa

Que tal levar a criançada para um passeio diferente, divertido e cultural, tudo isso em ritmo de Copa do Mundo? O evento Férias na Travessa reúne atividades para os pequenos de todas as idades. Sucesso nesse último fim de semana, promete mais diversão ainda nas próximas datas. Clique na imagem abaixo e confira a programação. Não perca!

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Morte em Veneza

Morte em Veneza_Nova_FronteiraCompre o livro Morte em Veneza, de Thomas Mann

 

 

 

 

De Thomas Mann

Certa vez, conversando com um grande amigo, ele reclamava dos escritores atuais que vendem milhões de livros e se tornaram celebridades, verdadeiros pop stars. Contra-argumentei dizendo o seguinte: alguns fenômenos literários podem vender milhões, mas quando deixarem o mundo dos vivos desaparecerão. E fui mais longe. Não tenho meios de quantificar, mas acredito que Thomas Mann tem mais livros vendidos que a maioria dos escritores atuais. E por que digo isso? Thomas Mann será lido por muitos séculos, em todo mundo. Pois é leitura obrigatória para aqueles que apreciam a grande literatura, como para aqueles que sonham em fazer grande literatura.

Não falo isso para desmerecer os autores atuais que vendem milhões de livros. De jeito nenhum. Afinal, são eles os responsáveis pela publicação de muitos autores novos. E, sem sombra de dúvidas, eles têm um mérito incrível. E é assim que a coisa funciona. Entro nessa seara apenas para dizer que Thomas Mann será eterno. Principalmente para os que apreciam a literatura de ponta. Sim. E para os jovens escritores que querem se aventurar na escrita, é preciso conhecê-lo. Não só ele, mas outros monstros sagrados da literatura mundial. E Thomas Mann é um deles. E essas considerações servem para todos aqueles que acompanham esse espaço.

Thomas Mann, sem dúvida alguma, foi um dos maiores romancistas da língua alemã do século XX.  Nasceu em Lubeck, em 1875. Mudou-se para Munique quando seu pai faleceu em 1891. Em 1905, casou-se com Katia Pringsheim e eles tiveram um casamento feliz, tornando-se pai de seis filhos.

 

O clima intelectual de Munique na época era o que mais fervilhava na Alemanha. Thomas Mann teve um grande interesse nos filósofos alemães Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, e suas teorias influenciaram profundamente a sua escrita. Mas falaremos sobre essas influências depois.

Foi nessa cidade que ele produziu suas obras famosas como “Buddenbrooks”, em 1900, “Morte em Veneza”, em 1912, e “A Montanha Mágica”, e em 1924 ganhou o prêmio Nobel.

Vamos ao romance?
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A verdade sobre o caso Harry Quebert

a verdade sobre o caso harry quebertCompre o livro Homem Invisível, de Ralph Ellison

 

 

 

 

De Joel Dicker

A verdade sobre o caso Harry Quebert” é um livro para os aficionados por um bom suspense; um thriller daqueles. E se Hitckock tivesse lido, certamente o transformaria em mais um de seus filmes inesquecíveis. Sem dúvida alguma – pelo menos até o dia de hoje – é “O livro” de suspense. E digo “até hoje”, por mera cautela, afinal, nunca se sabe o que vem por aí. Muitas surpresas podem acontecer. Mas, seja lá quais forem elas, uma coisa é certa: o livro é ótimo!

O escritor suíço Joel Dicker é um dos convidados da Flip em Paraty, esse ano. Seu livro é um grande sucesso de vendas. Ele já vendeu mais de dois milhões de cópias, e traduzido para 32 idiomas, e, pelo visto, seguirá os mesmos passos por aqui também.

Conversando com uma amiga livreira sobre o enredo do livro, ela sintetizou muito bem dizendo o seguinte: “O livro é engenhoso, a história é muito bem construída”. Um livro dentro de um livro. Um livro sobre alguém escrevendo um livro. Uma profecia que se realizou para Joel Dicker.
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Os Garotos do Brasil. Um passeio pela alma dos craques.

garotos_do_Brasil_ruy_castroCompre o livro Homem Invisível, de Ralph Ellison

 

 

 

 

De Ruy Castro

O assunto é Copa do Mundo. É futebol. É Brasil. E neste seu novo livro, Ruy Castro nos oferece os  registros de sua  memória futebolística apresentando sua versão dos fatos históricos –  muito bem  fundamentadas através de suas fontes  - em vinte e cinco textos sobre a grandeza de alguns personagens do futebol brasileiro, como: Pelé, Garrincha, Bellini e Zico, Mauro, Heleno de Freitas, dentre outros. Uma coletânea para aqueles que adoram o futebol bem jogado ou são fascinados por histórias deliciosas e bem contadas – eu faço parte dos dois grupos.

Logo na capa, uma surpresa: encontramos o zagueiro Fontana, com um cigarro na mão. Sim, com um cigarro na mão, uma foto impensável nos dias de hoje. Como um atleta podia fumar naquela época? Existe uma lenda que o Gerson na Copa de 1970, no intervalo das partidas , gostava de fumar. Isso é verdade? Não sei. Mas o futebol é isso. As lendas muitas vezes se tornam verdades e Ruy Castro nos convida a desvendar algumas e conhecer outras.

No futebol existem momentos inesquecíveis, alguns deles imortalizadas por Nelson Rodrigues na crônica, de 1962, intitulada “O Possesso” (Amarildo) onde encontramos a seguinte preciosidade:

“Quando acabou o jogo, quando a vitória uivou, vimos o seguinte: – era esta uma cidade espantosamente bêbada. Cada um de nós foi arremessado do seu equilíbrio chato, foi arrancado do seu juízo medíocre e estéril”.

Isso é o futebol fora das quatro linhas. E o livro começa com a epígrafe  do próprio Nelson Rodrigues, nos  chamando para além das quatro linhas, com a seguinte citação:

“Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”.

 

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