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O Incolor Tsukuru e seus anos de peregrinação

Para aqueles que acompanham este site, sabem que Haruki Murakami é um escritor recorrente neste espaço. Lembro-me quando eu era adolescente e ficava esperando o novo álbum dos Beatles, Led Zeppelin, Stones, James Brown. Murakami, assim como outros autores, para mim, segue o mesmo grau de ansiedade. Ao contrário de um álbum musical que você abria o envelope do disco, colocava na vitrola e ouvia, com o livro é um pouco diferente. “O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação” eu comprei ano passado, mas só agora estou lendo. Ouvir um disco e ler um livro tem registros diferentes. Mas, no caso de Murakami, que, além de escritor é um amante da música clássica e do jazz, vemos algumas peculiaridades em sua escrita com a música que nos chamam a atenção. A harmonização do som com o silêncio.

O trabalho intitulado “Lendo o Silêncio: O Incolor Tsukuru Tazaki e sono de Haruki Murakami”, de Regina Claudia Garcia de Sousa e Patrícia Trindade Nakagone, define muito bem a escrita do autor:

“É provável que o músico compreenda tal relevância bem mais que nós, tão necessitados de falar e pouco habituados a ouvir. Para construir uma canção, o artista precisa saber harmonizar som e silêncio. Para executá-la em conjunto, precisa ouvir os outros músicos. Dizem eles que a pausa é o lugar no qual a música balança, é a respiração que a torna mais arejada – não é à toa que cada figura de som tem sua pausa correspondente. De certa forma, podemos pensar que a cada coisa que falamos deveríamos fazer uma pausa a fim de processar o que foi dito, dar tempo ao nosso interlocutor e ouvi-lo. Em tempos atuais, (vi)vemos a necessidade individual de falar. É preciso usar a tecnologia para nos mostrarmos vivos. A (super)exposição tornou-se exigência. Nesse espaço e tempo, a leitura passa a ser estranha, pois nos leva a encontrar o silêncio, o não falar, o estar no mundo sem expor-se. No livro já citado, Barthes promove uma volta à origem da palavra “silêncio” e mostra que lá havia dois significados: tacere, o silêncio verbal, e silere, a tranquilidade, a ausência de movimento e de ruído (BARTHES, 2003, p. 49). Hoje, ambos os significados cabem na palavra silêncio e aparecem nas duas obras enfocadas de Murakami, não apenas porque ler é uma experiência silenciosa, mas porque os dois romances silenciam informações que, para nós leitores, não poderiam estar ocultas, dada a nossa necessidade de completude, de saber de tudo. Nesse sentido, cremos que a leitura de Murakami promove – e permite – a vivência do silêncio e, desse modo, mostra que há coisas que ultrapassam o controle que ambicionamos ter sobre nossa vida: há coisas que são impossíveis de saber.” (pg 83)

A citação acima para mim é a melhor definição sobre o livro “O Incolor Tsukuri Tazaki e seus anos de peregrinação”. Vamos a ele?

No segundo ano de faculdade de engenharia, Tsukuru Tazaki viveu praticamente pensando seriamente em se matar ou morrer por qualquer razão. Seu sentimento em relação à morte era tão puro e imenso que não conseguia enxergar uma forma concreta de morrer. O fato de não existir parecia algo fascinante para ele.

O motivo dessa sua atração pela morte era claro. Tsukuru teve quatro amigos de colégio de ensino médio muito íntimos. Até que, de forma abrupta, foi informado de uma maneira quase inquisitorial, sem nenhuma satisfação de que fora expulso do grupo. E ele nunca se atreveu a perguntar o motivo. Foi simplesmente expulso desse grupo. Por morar em Tóquio, pelo menos evitara o contato. Seus amigos eram de Nagoia. Eram três meninos e duas meninas. Eles haviam se tornado amigos depois de participarem de uma atividade voluntária no verão do mesmo ano, e, mesmo estando em classes diferentes, o grupo sempre se manteve ligado. Essa atividade voluntária na verdade fazia parte de uma tarefa de Estudos Sociais das férias de verão do colégio, mas, mesmo depois de terminado o período obrigatório, a amizade continuou.

No meio das atividades, eles encontravam tempo para conversar de maneira franca, entre acampamentos e saídas. Todos passaram a entender a visão de mundo uns dos outros. Esperanças e visões de mundo estavam no cardápio de todas as conversas. Entre as atividades, por exemplo, estava ensinar as crianças a ler livros e estimular e praticar esportes com elas. Cuidavam do jardim, pintavam o prédio da escola e reparavam os equipamentos de recreação infantil. Isso tudo durou dois anos, até completarem o ensino médio.

Os cincos eram de famílias de classe média alta do subúrbio. Os pais desses jovens fizeram parte da geração que chamamos hoje de baby boom, e o pai de cada um deles realizava trabalho especializado ou era funcionário de uma grande empresa. Não poupavam dinheiro na educação dos filhos.

Havia uma coincidência acidental (com exceção de Tsukuri Tazari) entre os quatros amigos. O sobrenome de cada um tinha um nome de cor. Um dos rapazes se chamava Akamatsu, que significa “pinheiro vermelho”, e o outro rapaz chamava-se Ômi – “mar azul”. As duas meninas também tinham nomes relacionados a cor. Shirane, “raiz branca”, e a outra chamava-se Kurono, que significa “campo preto”. Tsukuri Tazaki era a exceção. Seu nome não tinha nome de cor. Era o incolor. Ele sentia uma certa sensação de exclusão, por não possuir um nome colorido.

Aos poucos, todos foram sendo chamados pela cor. Vermelho era o aluno brilhante, sempre tirava as melhores notas em todas as matérias. Mas era humilde e não se vangloriava por isso. Odiava ser derrotado quando perdia uma partida de tênis.

Azul era atacante de um time de rúgbi do colégio e tinha um físico perfeito. Jogava muito bem, mas, como o time era mediano, frequentemente perdia para um time de uma escola particular.

Entre as meninas, Branca que tinha um belo rosto. Tocava piano de uma forma habilidosa, mas era tímida entre desconhecidos. Falava pouco, adorava animais.

Quanto à Preta, ela não se destacava pela beleza, mas tinha uma fisionomia expressiva e charmosa. Era alta e gordinha e já tinha seios grandes aos dezesseis anos. Dona de um caráter forte, falava rápido. Tsukuru muitas vezes a ajudava em matemática. Branca e Preta faziam uma dupla encantadora. Uma com talento artístico, mas tímida, simplesmente linda. Preta era uma comediante sagaz e irônica. Uma combinação única e atraente.

O único que não possuía nenhum atributo que chamasse a tenção era Tsukuru Tasari. Suas notas eram acima da média. Seu segredo era prestar a atenção nas aulas. Por isso nunca precisou de professor particular. Não tinha interesse por artes nem possuía hobbies ou habilidades especiais. A única coisa que o tornava, vamos dizer assim, diferente era que sua família era próspera, e sua tia era atriz de um certo renome. No entanto, ele gostava de uma coisa no mínimo curiosa. Ele adorava estações gigantescas de trem-bala. Ele gostava de estações de uma maneira geral sejam para trem-bala ou para terminais voltados somente ao transporte de carga, bastava que fossem ferroviárias. Era fascinado desde criança por ferromodelismo. Mas não se interessava por trens, e sim por estações.

Os cincos eram muito unidos. Tsukuru se sentia muito feliz em pertencer àquele grupo tão afetuoso. Havia uma unidade quase inquebrantável entre eles. E Tsukuru absorvia tudo desse grupo, como se fosse alimento da sua alma. Sempre temeu ser excluído desse grupo.

Mas quando chegou a hora de ir para universidade, algo inesperado ocorreu. Tsukuru passou para engenharia numa universidade em Tóquio. Sempre que podia visitava os amigos. Mas uma vez quando ele voltou para rever os amigos em Nagoia, algo estranho aconteceu. Foi informado por um deles que ele não fazia mais parte do grupo e que desistisse de tentar se comunicar com eles, pois ele não era mais bem-vindo.

Inconsolável, quase morreu por ter sido, utilizando a palavra da moda nos dias de hoje, cancelado. Anos se passaram. E aos poucos foi se recuperando dessa perda tão sofrida e sem a menor explicação. Não sabia a causa do ocorrido, ninguém o consultou, só deram o veredito final.  Tsukuru tornou-se amigo de Haida (que significa cinza).

Haida não tinha irmãos, era filho de um professor de filosofia e adorava música clássica, música de câmara e vocais. Não apreciava orquestras estrondosas. Foi quando Tsukuru ouviu ”Le mal du pays”, de Franz Liszt:

 - Le mal du pays, de Franz Liszt. Faz parte da suíte “Primeiro ano – Suíça”, de Anos de peregrinação

- Le mal du...?

- Le mal du pays. É francês. Em geral a expressão é usada no sentido de saudade da terra natal, melancolia a definição mais precisa seria: Tristeza sem causa, evocada no coração das pessoas pela paisagem rural”. É uma expressão difícil de ser traduzida corretamente” (pg 60)

A música tornava Haida eloquente. Grande cozinheiro, tinha como lema a máxima de pensar com a própria cabeça.

 Quero ser livre para sempre. Gosto de cozinhar, mas não quero ficar preso à cozinha, por causa do trabalho. Se fizer isso, vou passar a odiar alguém.

- Alguém?

- “O cozinheiro odeia o garçom, e ambos odeiam o freguês” disse Haida. É uma frase da peça A cozinha de Arnold Wesker. A pessoa privada de liberdade sempre e passa adiar alguém. Não concorda? Não quero levar esse tipo de vida.

 - Estar sempre em um ambiente livre e pensar livremente com a própria cabeça: é isso que você quer?

- Exatamente

- Mas a meu ver pensar livremente, em última análise, é se afastar do próprio corpo. É sair da jaula limitada chamada corpo carnal, soltar-se na corrente e fazer a lógica alçar voo de forma pura. É oferecer a vida natural a lógica. É isto que está no cerne da liberdade, quando se trata de pensar

- Parece bem difícil

- Haida balançou. - Não, dependendo de como você encara, não é muito difícil. Muitas pessoas fazem sem perceber, de acordo com o momento, e graças a isso conseguem e manter sãs Elas só não percebem que estão fazendo isso.

Tsukuru refletiu por um tempo sobre o que o amigo dissera. Ele gostava de discutir assuntos abstratos e especulativos como esse com Haida. Normalmente ele era de falar pouco, mas quando discutia sobre esses assuntos sobre com o amigo mais novo, provavelmente uma parte do seu cérebro era estimulada, e curiosamente suas palavras fluíam. Era a primeira vez que experimentava isso. Era a primeira vez que experimentava isso. Mesmo quando fazia parte do grupo de cinco amigos de Nagoia, em geral ele só ouvia. (pg 63, pg 64).

Numa noite, Haida contou uma história muito estranha sobre seu pai: quando ele era um estudante universitário, ele tirou licença dos estudos e trabalhou em uma pousada de fontes termais isoladas, onde conheceu um homem que se autodenominava Midorikawa (rio verde). Outra pessoa com cor no nome, pensou Tsukuru. Era um pianista de jazz de Tóquio, que era muito talentoso. Sua forma de tocar tinha um poder de mover a física e visceralmente o ouvinte, de transportá-lo para outro mundo. No entanto, Midorikawa não parecia ser um homem feliz. Disse que só tinha mais dois meses de vida.

- Não estou conseguindo acompanhar o raciocínio, mas não há como escapar dessa morte?

- Há uma única maneira – disse Midorikawa – Basta transferir para alguém essa competência, ou o “Token” da morte, por assim dizer. Ou seja, simplificando, tenho que encontrar alguém para morrer no meu lugar. Então eu passo o bastão e vou embora, dizendo:  O resto é com você”. (pg 82)

... Mas como o senhor consegue transferir esse “Token” para outra pessoa, concretamente falando?

Midorikawa encolheu os ombros como se isso não tivesse muita importância. – É fácil. Basta a pessoa compreender a minha explicação, aceitá-la, estar de acordo com a situação e concordar em receber o “Token”. Nesse momento a transferência se completa de modo perfeito. Pode ser apenas de boca. Um aperto de mãos está ótimo. Não precisa de carimbo ou assinatura. ( pg 82)

... Então vou lhe dizer. Cada pessoa tem a sua própria cor, e ela contorna o corpo emitindo uma luz fraca. Como uma aura. Ou uma iluminação indireta. Meus olhos conseguem enxergar perfeitamente essas cores. ( pg 83)

... Midorikawa disse: - no momento em que você em aceita a morte, passa a ter uma qualificação que não é normal. Pode-se dizer que é uma capacidade especial. Enxergar as cores emitidas pelas pessoas não passa de uma consequência de ter essa capacidade. O fundamental é que você consegue ampliar sua própria percepção. Passa a conseguir abrir as “portas da percepção” de que Aldous Huxley fala. E sua percepção se torna genuína sem impurezas. Tudo fica claro como se névoa tivesse dissipado. Você passa a ter uma visão panorâmica de um cenário que um estado normal não consegue ver...( pg 85)

... Se o senhor morrer com esse Token?

- Nem eu sei. De fato, o que vai acontecer? Talvez desapareça junto comigo. Ou talvez continue existindo, sob alguma outra forma, para continuar sendo passado de pessoa a pessoa... (pg 87)

Mais tarde naquela noite, enquanto Haida dormia em seu sofá, Tsukuru teve um estranho sonho erótico envolvendo Shiro e Kuro, que então se fundiram e se transformaram em Haida antes do clímax. Tsukuru se perguntou se era tudo um sonho, então Haida não apareceu no semestre seguinte. Tudo o que ele deixou para trás foi o conjunto embalado de Anos de peregrinação que emprestou a Tsukuru.

Anos se passaram. Ele teve alguns relacionamentos casuais com mulheres, mas nunca permitiu que nada se tornasse muito sério até que encontrou uma mulher chamada Sara. Ele ficou atraído por ela, quis passar uma noite com ela. Uma noite, eles estavam prestes a fazer sexo, mas não aconteceu. Tsukuru não conseguiu ir adiante. Sara foi compreensível e o aconselhou a enfrentar o seu passado para seguir com o seu futuro.

Acertar contas com o passado significava encontrar com os seus ex-amigos e conversar com eles e saber a razão de ter sido excluído do grupo. Sara conseguiu via redes sociais o endereço de todos eles. E deu a Tsukuru tudo de bandeja. Agora cabia a ele enfrentar aquela rejeição conversando com cada um de seus ex-amigos.

Tsukuru viaja para sua cidade natal, Nagoya, e encontra Ômi – “mar azul”, que trabalha numa concessionária de veículos da Lexus. Ele pede desculpa, e alega que Shiro havia acusado Tsukuru de estupro. E isso fez com que a comunicação entre eles fosse interrompida. Shiro (branca) acabou se tornando professora de piano, mas acabou sendo morta por estrangulamento em um caso de assassinato mal resolvido. Os dois se despedem.

Tsukuru marca um encontro com Akamatsu (com sobrenome vermelho), que faz um grande sucesso como um treinador de funcionários de grandes corporações. Um homem bem-sucedido, mas muito infeliz. Ele dá uma versão mais aprofundada do ocorrido. Ele diz que Shiro (branco) havia perdido seu amor próprio muito antes de morrer. Acaba se confessando que abandonou seu casamento fracassado, pois é gay, e não assume com medo de perder prestígio com o povo de Nagoya. Seus métodos de ensino são psicologicamente inspirados no nazismo e nos fuzileiros americanos. Eles se despedem com um pedido de desculpa, e Tsukuru parte.

Tsukuru conta todas as conversas que teve para Sara e agora precisa saber o resto da história. Para isso ele deve visitar o único outro membro sobrevivente do grupo de amigos, Kurono (preto), que agora mora na Finlândia e tem duas filhas. Tsukuru se prepara para viajar evai comprar presentes para as filhas de Kurono. É quando o inesperado acontece. Ele vê Sara de mãos dadas com um homem de meia-idade, sorrindo de uma forma que ela nunca fez com ele.

Não sente ciúmes, mas uma grande tristeza, Tsukuro voa para a Finlândia. Em Helsinque, ele conhece uma agente de viagens chamada Olga, que foi uma indicação de Sara para rastrear Kurono. No dia seguinte ele vai para Hämeenlinna, uma cidade rural onde ela tem uma casa de férias. Ele conhece o marido dela, o ceramista finlandês Edvard Haatainen. Quando ele chega, leva as meninas para fazer compras.

Tsukuru fica sozinho com Kurono, agora uma ceramista de sucesso. Em um clima de muita emoção, ela diz que Shirane é doente mental. E a acusação de estupro era uma invenção, mas todos compraram a narrativa dela com medo de contradizê-la. Ela acaba revelando que sempre fora apaixonada por ele. Contou que Shirane havia de fato sido estuprada e fez um aborto espontâneo, e em seguida desenvolveu uma anorexia como uma forma de nunca mais engravidar. Kurono evitou falar do amor que ela tinha por ele (Tsukuru) para evitar entrar em conflito pela fragilidade da amiga. Tinha que que ter um sacrifício para proteger Shirane.

Ao ouvir tudo isso, chegou à conclusão de que não era pela falta de cor no nome a causa de tudo, não era por se sentir incolor o real motivo de tudo. Ao ouvir tudo aquilo, ele se despede e retorna ao Japão. Acaba falando para Kurono sobre Sara (seu grande amor) estar saindo com outra pessoa e recebe um conselho de que ele devia contar para ela sobre o que ele sente, ou seja, o mesmo conselho que Sara lhe deu para saber o seu passado para entender o presente. Ele se sente mais sábio quando chega ao Japão. Liga para Sara, que dá três dias para responder. E ele continua esperando.

Podemos dizer que a angústia de Tsukuru Tazaki parece conter as cores do arco-íris. A cor incolor da morte. Ele imagina seu coração parando, mas não consolida o ato. Flerta com a morte, mas sobrevive. Cicatrizes são incolores, quase  invisíveis. Um sujeito estranho para si mesmo e ao mesmo tempo sem cor.

Talvez no fundo todos estivessem conectados através das feridas. Por isso o final não é feliz. É uma expectativa permanente. “O incolor Tsukuru Tazaki” nos deixa a mensagem de que o importante é continuar vivendo, para saberemos o que virá a seguir. Um livro que merece um lugar de HONRA na sua estante.


Data: 02 março 2021 (Atualizado: 02 de março de 2021) | Tags: Realismo Mágico


< Entre Quatro Paredes A Queda >
O Incolor Tsukuru e seus anos de peregrinação
autor: Haruki Murakami
editora: Alfaguara
tradutor: Eunice Suenaga
gênero: Realismo Mágico;

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